O Estado Nacional e as políticas desenvolvimentistas: o “cerco articulado” contra os Guarani na Tríplice Fronteira Sul

Este texto aborda a trajetória de deslocamentos forçados dos povos Avá Guarani na tríplice fronteira sul, especialmente no oeste do Paraná, provocados por projetos conservacionistas, empreendimentos econômicos e de expansão territorial, e por regimes ditatoriais que expropriaram populações tradicionais, indígenas e rurais das suas terras originárias. Por um lado, propõe-se contextualizar historicamente a atual situação social e política dos povos indígenas na região, e por outro, as formas de luta e resistência articuladas pelos movimentos indígenas. A partir desse contexto local, é possível ampliar a discussão sobreas condições territoriais, econômicas e políticas dos povos indígenas para todo o País, sobretudo nas regiões de fronteiras, problematizando não apenas a relação com o estado nacional e a sociedade civil, mas também as políticas ambientais e tutelares dos vários agentes envolvidos, examinando os enfrentamentos políticos e étnicos com a sociedade envolvente e com a própria Antropologia, que também tem sido desafiada a pensar e se relacionar com um novo protagonismo indígena. O movimento indígena tem procurado atuar não apenas nos espaços políticos e governamentais, mas também nas esferas acadêmicas e da mídia.