Tribo Guarani

Oguata Porã: Observatório Social das Terras Indígenas do Oeste do Paraná

“Vocês perguntam pra gente de onde viemos e quais nossas aldeias! A gente não pergunta de onde vocês brancos vieram (…) os brancos sempre fazem estas perguntas. A gente sabe muito bem de onde vocês vieram, não precisamos perguntar isso.”

– Teodoro Tupã Alves, Liderança indígena da Aldeia Tekoha Itamarã

 

Entendemos que uma das principais dificuldades para compreender a atual situação territorial Guarani do Oeste do Paraná é o acesso a boas e confiáveis fontes. Já se disse que na guerra a primeira vítima é a informação. E neste caso, existe uma guerra por terra no Oeste do Paraná. Uma guerra travada entre as comunidades Guarani e amplos setores econômicos que buscam a todo custo confinar os Guarani em pequenas áreas afirmando que “aqui nunca houve índio”.

O Observatório Social das Terras Indígenas do Oeste do Paraná tem como objetivo disponibilizar informações confiáveis e científicas para que o grande público – além de pesquisadores, acadêmicos e lideranças indígenas – possa ter acesso a dados fidedignos e reais acerca da situação destas comunidades. Neste sentido, este espaço apresenta e dá visibilidade à situação territorial das áreas Guarani retomadas do Oeste do Paraná a partir do grande Mapa Digital Guarani (acesse aqui) organizado pelo CTI (Centro de Trabalho Indigenista) em conjunto com diversas entidades indigenistas e lideranças indígenas. Além do mapa territorial, este site também tem como objetivo abrigar diversos artigos, vídeos, fotografias e reportagens jornalísticas a respeito das ocupações e migrações Guarani do oeste do Paraná. Neste sentido é necessário destacar a parceira e colaboração científica dos pesquisadores Malu Brant, Clovis Brighentti, Marina Oliveira e – em especial – aos pesquisadores do Centro de Trabalho Indigenista, sem os quais estas informações e debate não seriam possíveis.

Esperamos que este espaço denominado OGUATA PORÃ nos permita compreender a grande caminhada destas comunidades em busca de suas terras tradicionais e possa colaborar no grande e necessário debate a respeito dos direitos do grande povo Guarani no Oeste do Paraná.

Boa navegação!

Crianças

Sobre o povo Guarani

“Singular e assombroso o destino de um povo como os Guarani! Marginalizados e periféricos, nos obrigam a pensar sem fronteiras Tidos como parcialidades, desafiam a totalidade do sistema. Reduzidos, reclamam cada dia espaços de liberdade sem limites Pequenos, exigem ser pensados com grandeza. São aqueles primitivos cujo centro de gravitação já está no futuro. Minorias, que estão presentes na maior parte do mundo.” (Bartomeu Meliá)

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A questão da terra

O que os atuais deslocamentos e migrações das comunidades Guarani nos revelam é que – mesmo existindo as permanências culturais de caráter religioso – a materialidade da terra passa a ser determinante. Ainda que os Guarani se utilizem do discurso religioso e tradicional como forma de reeleitura de mundo e estratégia de ocupação dos espaços que, por meio desta reelaboração entendem que são seus por direito, é forçoso reconhecer o profundo caráter sócio-histórico deste argumento, no sentido de não mitologizarmos este fenômeno, mas sim, historicizá-lo.

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Mapa Territorial Guarani

Segundo os Guarani “Sem Tekoha não há Teko”. Tekoha é uma palavra composta: Teko (costume, cultura, tradição) e há (lugar, espaço). Uma tradução livre de TEKOHA seria ALDEIA. Estas palavras nos ensinam uma questão óbvia: sem espaço territorial não existe possibilidade de reprodução cultural. A questão da centralidade na terra segue determinando a sobrevivência do povo Guarani. Aqui apresentamos um pequeno recorte do grande território Guarani a partir das áreas de retomada do oeste do Paraná, nos municípios de Itaipulândia, Santa Helena, Guaíra e Terra Roxa.